- Olha pra mim!
Ela olhou e ele a filmava. Sorrindo mandou um beijinho e acenou.
- É hoje! Ela esclamava enquanto comiam amendoim, arrancando risos dele.
- Vamos!
Era sexta feira, dia de bar… Uma sexta de Outubro, mas não estava calor. Caminharam até o metrô e no trajeto de uma única estação ele a beijava.
Ela não estava apaixonada.
Enfim em casa. Enfim no quarto. Ele estava de pé, ela deitada. Ele sentia calor, ela tentava checar se estava tudo certo. Ele a fazia rir.
Alguém estava apaixonado.
Houve uma grande sinfonia naquela noite… muitos comentaram.
Amanheceu sábado que logo entardeceu. Falavam muito, bebiam muito, comiam pouco.
-Eu preciso te falar isso, as pessoas fazem o juizo errado de mim. Eu tenho muitos esqueletos no armário. É difícil lidar com isso.
-Eu sabia que você era um campo minado. Dá licença?
Tudo naquele recinto estava oficialmente encantado.
Contam que se ouviu uma ópera depois daquela conversa. Em muitos atos e diversos palcos.
Enquanto o domingo se aprontava para amanhecer, ela finalmente se vestiu e foi embora. Ele achou um absurdo, mas fez a vontade dela colocando-a num táxi.
Muito tempo se passou depois daquela noite e ela um dia se tranformou num dos esqueletos dele.
Há quem diga que quando o relógio bate às 20h00 alguns esqueletos fazem risoto para flores que não se cheiram…
Estranhamente tudo naquele recinto ainda permanece encantado.